Revista Italo-Brasileira -Luce tra le Frontiere

Revista Italo-Brasileira de Mariana Brasil, escritora brasileira residente na Itàlia. Cronicas, atualidades, informaçoes culturais, literarias e sociais. Eventos da comunidade brasileira na Itàlia. Endereços uteis.

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Categoria: Depoimentos

24.06.07

Sim! Que saudades amiga...

           

 

Um respiro da minha alma...

Saudades...

Sim! Que saudades amiga...

Era estranho o sentimento de saudade que sentia em nossas ultimas conversas por telefone, não conseguia compreender...

Amiga:

Foi estranho a intensidade do nosso encontro... Quantas vezes nos questionávamos que cumplicidade era aquela...
Porque a pressa que havíamos em contar uma a outra tudo de nós ...
As noites e noites davante as chamas do "joaquim"... (minha lareira).
A viagem a Veneza...Torino...Geneve...
A saga das trufas...As janelas e portas de uma estação centenária...
Tudo era intenso e inexplicável...
Tudo era vida...

Foi estranha nossa viagem ao caminho de Santiago de Compostela...
Por vários motivos pessoais nunca pensei em escrever algo relacionado ao caminho, tento seguir minha estrada de escritora unicamente com minhas forças...Mas enfim... Essa è uma outra história...

Você me falou tanto da energia maravilhosa do "caminho" que acabou por me contagiar com seu entusiasmo...
Você melhor do que ninguém sabe que não sou uma verdadeira "peregrina", confesso humildemente ser uma "turigrina".
Confesso minha grande admiração pela lição de vida que você me deixou "consulesa peregrina".

Peregrina da vida...Amiga inesquecível...

Quantas vezes nesse ultimo mês revivi aquela viagem maravilhosa...

Desde a partida de Madrid até Astorga...quantas risadas...quantas provações...

Eu você e Lucy...

Tudo contribuiu para desistirmos, mas fomos persistentes e chegamos...
Cada uma com sua bagagem de vida, seus sonhos e esperanças...
Quantas vezes você me disse que o caminho era onde você se sentia em casa...E que se estávamos lá existia um "porque"...
Que ali você era feliz completamente...

Que alegria encontrar Alfredo e Pilar e que carinho recebemos...
A cruz de ferro...Que forte aquele momento...lágrimas de felicidade...
Silêncios que eram longos discursos...

Que emoção o encontro com Jesus Jato, Paco Luiz...Rejane...Edgar...e outros...
O menino do chinelo preto...rs

Chegamos na "fenix" para uma visita de uma hora, ficamos três dias...Quanta alegria, quanta saudade, quantas reflexões...
Não posso esquecer do "rei das Alturas"...Não errei nao...kkkk...E que altura heim...voltamos tudo o que já havíamos percorrido para conhecer uma aldeia hippie, que mundo maravilhoso...

Paco que nos esperava em cada ponto de chegada com seu camper e seu sorriso.
Acácio que com seu abraço fraterno veio nos encontrar no albergue de Jesus Jato, que almoço maravilhoso...

Que linda queimada...Bebemos da energia sagrada... 
Uma frase escrita num pedra ... "todo se cumple"...

Você havia me falado daquele lugar...Havia se referido a ele como um respiro nas Blumas de Avalon...Era mesmo...Ribadizzo...(nao sei se è assim mesmo que se escreve)... um lugar màgico, onde hoje te vejo caminhar "bruxinha" maravilhosa...Foi onde tb travei com minha coluna de cristal e assumi minha condição de "turigrina"...

Aquele monasteiro com cheiro medieval... encontros... reencontros...
O onibos dos meninos bocudos...
As rosas vermelhas de uma encruzilhada...
Um por do sol...
Um sanfoneiro...
Uma noite num banco de uma praça...
O monumento mais antigo do caminho...
Uma noite com as estrelas...
Uma rosa rosada no céu...
Um dente de durepox...kkkk...
Um inquizitor...
Uma consulesa que defende uma meretriz...
Uma amiga que descobre que acordou de um sonho de 50 anos...
Um homem que escolheu seu repouso eterno no no caminho..

Josè Maria e sua promessa...


Uma gruta...
Um gato preto...
Pedras que falam...
Papoulas solitárias...
Uma árvore e um ângulo da vida...
Conchas e setas amarelas...
Um sábio contadino...
Um templário...
Uma cigana...
Um rato e uma flor...
Uma irmã...
Estranho reencontro de irmãos peregrinos...
Peregrinos da "Vida"...

         

Amiga:
Já fez um mês que você partiu...
Sinto sua energia...
Ouço seu sorriso...
Sinto saudade...
Oro por ti...
Sei que você esta onde è feliz completamente...

Me emocionei ao ver a sua emoção com o "bota fumeiro"...
Esse momento nos pertence...

Um irmão chamado Henrique...
Um filho de nome Guilherme...
Uma bruxa de nome Cristina...
Uma Sonia como eu...
Um zapatone disse que você já fazia parte do caminho......(hum...será que è assim que se escreve...rs)

Celebrando a vida entre a Paris/Dakar...kkkkk..rs... Essa parte foi só alegria...

Jamais esquecerei um amanhecer sob um cavalo cintilante, no chão frio de uma praça encantada, diante da linda catedral de Santiago de Compostela.

 

         

Amiga te desejo luz...
Sempre mais luz...

 



Sua amizade foi um presente que a vida me presenteou...

Como no vídeo que tenho de você:

"Buon camino peregrina"...
Não sei se existe num "al di là", ou a oportunidade de saber onde será o local de nossa partida. Penso que sua partida ocorrida na sua quinta viagem ao caminho de Santiago de Compostela, numa noite serena, no silencio de sua paz encontrada durante sua peregrinação nesta existência, no lugar onde você mais amava ...me faz sonhar...imaginar...acreditar...
Você faz parte do caminho amiga amada, estrela que brilha eternamente no caminho de Santiago. Ao lado de "Tiaguinho". no único lugar deste mundo onde você se sente completamente a casa...

Te amo amiga...


Sonia C. M.

"Mariana Brasil"

  • criado por  marianabrasil_luz criado por marianabrasil_luz
  • Postado em 22:09:21

09.12.06

Mulher Lixo - Violação de direitos humanos.

 

                   

Hoje è festa de Nossa Senhora Imaculada na Itália, è feriado nacional, muitas pessoas aproveitam o final de semana prolongado para fazer uma viagem com a família, outras para descansar ou dedicar-se a si mesmo.

Vou contar aqui uma história de violação de direitos humanos muito triste. O que ouvi nesse dia dedicado a Imaculada Conceição coloca em dúvida a evolução espiritual de muitos dos nossos semelhantes.

Conheci Maria hoje, “vou chama-la como a mãe de Jesus”, è brasileira como eu, original do estado brasileiro chamado “Espírito Santo”. Maria tem 40 anos, dois filhos, trabalhava em sua cidade natal como policial.

Os dois ultimos anos de sua vida economizou cada centavo que podia para fazer sua viagem para a Itália, com a esperança de poder trabalhar dignamente e melhorar sua vida, porém como acontece na maioria das vezes com os imigrantes que decidem tentar a sorte num país estranjeiro sem tomar todas as possíveis precauções e obter todas as possíveis informações, acabam sendo vitimas de terríveis violações contra o direito básico do ser humano: o respeiro. A falta de informação faz com que a realidade apresente surpresas, infelismente, nem sempre boas.

Maria havia dois contatos na Itália, ou seja, apenas dois números de telefone. Desembarcou no aeroporto de Milão e a pessoa que havia prometido espera-la no aeroporto não apareceu.

Maria telefonou para o segundo numero de telefone que havia, felismente a pessoa do outro lado da linha lhe deu amparo, por telefone lhe explicou como fazer para chegar até sua casa, lhe deu um prato de comida e uma cama para dormir.

Maria já no seu segundo dia na Itália começou a procurar emprego, algo difícil para quem não fala o idioma do país e não há referencias nenhuma. Maria tinha apenas muita fé em Nossa Senhora e muita vontade trabalhar.

Conseguiu um trabalho temporàrio por duas semanas na casa de uma gentilissima família italiana, estava feliz, trabalhava o dia inteiro em duras tarefas domesticas, mas já tinha onde ficar, dormir, comer e um pequeno compenso economico.

Mas esse trabalho temporàrio chegou ao fim, mas uma vez Maria repartia do zero em sua aventura na Itália, dessa vez havia já um telefone celular, uma roupa mais quentinha e adequada para o inverno europeu e sua sempre presente fé imutável.

Conheci Maria por acaso ontem, quando fui visitar uma amiga, a primeira impressão que tive ao vê-la foi de estar diante de uma pessoa triste, triste dentro ...

Perguntei:

-- O que è essa nuvem de tristeza em torno a ti?

-- È assim visível?

-- Sim. – não podia negar a verdade que via através da sombra escura em seus olhos. Maria sorriu tristemente e disse:

-- Eu sei que o melhor è esquecer, mas tem certas coisas que nos fazem tão mal à alma que è difícil não pensar.

-- Entendo, se quiser desabafar, sinta-se à vontade.

--Você quer saber?

-- Sim, confesso que estou curiosa, mas somente se você achar que te fará bem desabafar.

E Maria começou seu relato.

-- Na semana passada eu soube de uma família que precisava de uma pessoa para fazer limpeza em sua casa, entrei em contato por telefone e combinamos de fazer uma experiência durante um final de semana na casa de montanha deles.

Aparentemente era uma bela família, meu patrão: um importante comerciante de Como, eu estava realmente feliz.

Peguei minha mala e parti com o casal e seus quatro filhos para uma bela localidade de férias.

A primeira ordem foi a de eu entregar o meu celular, pois me disseram que para trabalhar para eles não deveria perder tempo ao telefone, contrariada entreguei meu telefone ao meu patrão.

Chegando a nossa destinação minha patroa disse para começar imediatamente a limpar a aconchegante casa. Assim eu fiz, no entanto acabava de arrumar algo e os filhos do casal tiravam tudo do lugar e eu refazia infinitamente o mesmo trabalho.

Pareciam animais.

Pedi luvas, mas como resposta recebi as instruções de limpar tudo com minhas mãos, inclusive o interno do vaso sanitário do banheiro, minhas mãos ardiam pelo uso dos fortes produtos químicos de limpeza, mas até aí imaginei que poderia ser um costume italiano.

Não entendia quase nada do que a família falava, mas ouvia uma palavra em continuação: “Donna Spazzatura”. Esse era o nome com que me chamavam.

Fui olhar no dicionário e descobri que Donna è mulher e “spazzatura è lixo”. Pensei: Meu Deus, eles me chamam de “mulher lixo”.

A primeira agressão física foi feita por uma das filhas do casal, depois de limpar toda a casa no segundo dia, precisava levar o pesado saco de lixo até a lixeira da rua, pedi licença para passar no corredor e ouvi um sono “nooooooooooo”, insisti: dizendo:

-- Per favore, tenho que levar esse lixo fora.

Desta vez como resposta recebi um pontapé e um palavrão internacional.

Fui até minha patroa, reclamei, mostrei a mancha vermelha na minha canela, surpresa ouvi minha patroa dizer que deveria adaptar-me ao carater das crianças e não eles ao meu.

As violências físicas continuaram, por quatro dias minha rotina foi, palavroes, pontapés e muito trabalho.

No domingo fiquei até surpresa, toda a família saiu cedo, limpei a casa novamente e ao meio dia ouvi a campainha tocar, respondi, era meu patrão, ele mandou que eu descesse, iríamos a um restaurante.

A única coisa que nunca me negaram foi comida.

Não sei qual o motivo da discussão, pois não entendia, falavam muito depressa, mas houve uma briga entre o casal no restaurante, onde meu patrão agrediu fisicamente minha patroa na frente de várias pessoas.

Pensei: Aí esta a resposta do porque as crianças serem assim violentas, pois aprenderam com os pais. A sabia frase que conhecia muito bem como policial em meu país caia como uma luva: Violência gera Violência.

Toda vez que tomava banho a minha patroa desinfetava todo o banheiro com álcool, como se eu tivesse alguma doença contagiosa. Mas enfim, esse era um seu direito.

  • criado por  marianabrasil_luz criado por marianabrasil_luz
  • Postado em 15:52:42

Mulher Lixo - Violação de direitos humanos.

Continuação ....Mulher lixo ...

Na segunda feira compreendi que estaríamos voltando a Como, onde eles residiam, arrumei a minhas poucas coisas, carreguei o carro com as bolsas deles e deixei a casa toda arrumadinha.

Mas não cheguei até a cidade de Como.

Meu patrão parou o carro na metade do caminho e me deixou na estação de trem de uma localidade pequena, não tinha mais ónibus e nem trem. Foi um choque quando ele parou o carro e disse:

-- Desce, procure um hotel para passar a noite, veja tem um bem ali...Minha família não gostou de como você trabalha, espere aqui nesse bar que vou mandar alguém lhe trazer o resto de sua bagagem esta bem?

-- Não esta bem não, o senhor tem que me pagar.

-- Não vou te pagar nada e se não estiver contente assim vai na "questura", "policia" você è clandestina e encontrarà o que merece là.

-- Se o senhor quiser vamos, posso ser clandestina, mas o senhor vai pagar uma multa por o trabalho escravo e as agressões que fui submetida por sua família.

-- E você será deportada estranjeira idiota.

Dizendo essas palavras jogou meu celular no chão e me deixou ali chorando dizendo para esperar no bar da estação que mandaria alguém trazer minhas coisas.

Desesperada mas confiante na justiça divina comprovei a existencia de Deus que manda sempre seus anjos nos amparar nos momentos mais difíceis de nossas vidas.

Um rapaz que estava nas proximidades e observou a cena se aproximou e disse assim:

-- Não seja boba, chame a policia, esse homem è um animal.

-- Não posso, não tenho documentos de estadia na Itália e não posso correr o risco de ser deportada, economizei dois anos para fazer essa viagem.

-- Também sou estranjeiro, posso entender seu problema, só você pode decidir, mas não è justo tanta humilhação.

Fui até o bar com o rapaz, pedi um chá de camomila para me acalmar e a senhora do bar que também assistiu a cena de longe depois de ouvir minha história igualmente me aconselhou a chamar a questura, mas tive medo. Não podia correr o risco de ser deportada.

Esperei até que um funcionario da empresa de meu patrão trouxesse minha bagagem, o que aconteceu somente depois de longas horas.

Fui aconselhada a não passar a noite no hotel indicado pelo meu ex-patrão, ele poderia me denunciar como clandestina.

Com o corpo todo dolorido pelas pancadas que levei, com a alma em farrapos pela humilhação e com um sentimento estranho e desconhecido até então, de impotência, permiti que o rapaz estranjeiro, do Marrocos me acompanhasse de carro até a estação de Como, onde poderia ir de trem novamente para a casa da amiga que me havia recebido na minha chegada em Itália.

-- Acho que è essa a nuvem de tristeza que você vê nos meus olhos.

-- Maria, sinceramente fico muito triste por ouvir sua historia e pensar que histórias como essa acontecem todos os dias com tantos estranjeiros na Europa. Mas porque você não fez uma permissão de estadia para turismo? Qualquer estranjeiro pode estar três meses na Itália, mas deve denunciar às autoridades sua chegada entre 8 dias e assim recebe uma permissão legalizada por três meses, se tivesse esse documento você poderia denunciar o ocorrido.

-- Não sabia disso.

-- Cara, são 16 anos que vivo na Itália e já vi muitas mudanças positivas acontecerem, tenho certeza que muitas ainda aconterceram, na minha opinião você poderia denunciar ainda esse crime, acho que seria a coisa mais justa e coerente a se fazer, mas creio que corre realmente o risco de ser deportada no momento da denuncia. Infelismente as autoridades italianas ainda não entenderam que o que gera desfrutamento e exploração de seres humanos è a vulnerabilidade da condição de clandestinidade. Desse modo a propria lei em vigor protege os exploradores.

-- A história è sempre a mesma, quem tem dinheiro tem o poder, pode bater, humilhar e não pagar quem tem menos, sinceramente o que me deixa muito triste è que esse monstro continuará a explorar outras pessoas.

-- Se você quiser posso falar com uma cara amiga italiana, ela è presidente de uma associação de Milão, è uma pessoa séria e poderá nos orientar.

-- Será que ela não vai me denunciar?

-- Absolutamente, seu objetivo è proteger as mulheres, de qualquer maneira se quiser posso telefonar e pedir sua opinião.

-- Gostaria. E assim foi feito, minha carissima amiga italiana confirmou minhas palavras, realmente Maria poderia ser deportada no momento da denuncia, porque estava ilegal na Itália, apesar de estar apenas à um mês em terras italianas não havia denunciado sua chegada.

Tal fato me deixou ainda mais triste, pois realmente a nuvem de impotência que via nos olhos de Maria era uma realidade.

Maria foi vitima de uma vergonhosa violação de seus direitos humanos, ainda visível nas marcas violetas de seu corpo. O pior è que não podíamos fazer nada para impor a justiça fundamental que deveria existir entre os homens, independente de suas nacionalidades: O RESPEITO.

Certamente Maria, essa mulher brasileira vinda do "Espirito Santo", continuará clandestina na Itália, haverá outras experiências, talvez consiga realizar seu sonho de melhorar sua condição economica, talvez encontre o amor, talvez não. Mas já percebeu que uma parte de sua alma começou a morrer. Provavelmente seu ex-patrão continuará a explorar outras pessoas.

Recordei do grande fluxo de imigrantes italianos que se radicaram no Brasil no século XIX, que morrendo de fome em sua pátria foram substituir o trabalho escravo nas terras brasileiras. Hoje a história se reverteu e infelismente a memoria histórica desse fato è curta.

Mas o mundo dá muitas voltas ...

Existem muitas Marias ...

Peço a Deus que um dia esse comerciante de Como e sua família encontrem a Maria certa.

Dessa história que conheci no dia de Nossa Senhora Imaculada restou um gosto amargo na minha boca, gosto de impotência diante das injustiças. Todavia também reforçou meu desejo de lutar pela dignidade humana.

Meu percurso existencial deixou-me uma lição básica de perseverança, creio que a informação è a alma de proteção ao ser humano.

Temos que denunciar.

Por esse motivo deixo em web esta carta aberta, esperando que caia nas mãos de alguém que tenha o poder, a sensibilidade e a coragem suficiente para tomar uma providencia, ou pelo menos que muitos tomem conhecimento das absurdidades que ocorrem ainda nos dias de hoje.

Escrevo esta carta aberta em português e italiano, principalmente porque gostaria que meus conterrâneo antes de imigrar para um outro país procurem as informações sobre as leis vigentes no país de destinação.

Deixo registrado um grito de alerta, uma sombra de impotência, um gosto de dor que não posso fazer a menos de dividir nesse dia especial dedicado a Maria: Nossa Senhora Imaculada. Pedindo a todas as pessoas que se realmente decidirem podem se unir e fazer a diferença. Divulguem essa carta. O mundo pertence a todos.

Luz ... Sempre mais luz ...

Que esta luz acompanhe as tantas Marias vindas ao primeiro mundo em busca de um lugar digno ao sol.

Mariana Brasil

marianabrasill@yahoo.it

Para ler a carta em italiano clique aqui:

http://rivistaluce.blog.terra.com.br/

Deixe seu comentàrio aqui, pois seu apoio è fundamental.

Bjs e luz ....

 

  • criado por  marianabrasil_luz criado por marianabrasil_luz
  • Postado em 15:46:30

09.10.06

Carta Aberta S.O.S Filhos do Brasil

 

"Carta Aberta"

                       

“S.O.S. Filhos do Brasil”

“Caro senhor “futuro” Presidente do Brasil”

È a primeira vez que escrevo uma carta a um destinatário ainda incerto, todavia, independente de quem seja o “ Presidente eleito”, espero que esta carta não seja ignorada, porque nela responderei o que o “Presidente do Brasil” tem haver com o futuro dos filhos desta nossa Pátria amada que atualmente estão imigrando em massa para os vários cantos do mundo em busca de condições de uma vida mais digna do que temos no nosso país.

Nestas linhas que escrevo em plena eleição presidencial do ano 2006, lanço o apelo “S.O.S Filhos do Brasil”, um apelo à um dos direitos humanos básicos e primordiais da humanidade: “A Informação”.

Propondo uma reflexão sobre o tema “imigração” e na prática as suas indiscutíveis ramificações, salientando principalmente que gostaria de incentivar um debate sobre o “porque” e “o que se pode fazer” por essa enorme fatia de cidadãos brasileiros que vêem hoje uma meta a possibilidade de viver em terras estranjeiras, com o objetivo de uma qualidade de vida descente, o que deveria ser um direito básico também no Brasil, minha preocupação è direta principalmente para aqueles que iludidos, ignoram os riscos e muitas vezes são vitimas de inúmeras explorações. Ou seja; àquelas pessoas que fazem parte das categorias da população brasileira menos favorecidas, merecedores de tantas atenções na epòca das eleições, mas normalmente esquecidas no programa prático do governo vencedor.

Também sou uma filha do Brasil que há 16 anos que vive na Europa! Atualmente na Itália.

Hoje meu ângulo de observação sobre os argumento acima citados è um ângulo particular, ouso dizer bilateral, não somente pelo fato de ter vivênciado em primeira pessoa “na ocasião de minha chegada na Europa” a terrível realidade da “prostituição”, ou pelo fato de ter transformado minha experiência pessoal num livro que, dismistifica, documenta e retrata a real face do mundo da prostituição na Europa, desse modo tornando publica a verdadeira trajetòria de tantas filhas do Brasil que partiram iludidas para a destinação “Paraíso” sem fazer as contas do alto preço que custa essa escolha. Mas porque sou também uma filha do Brasil, que um dia vendeu o corpo, e que hoje empresta a própria voz na esperança de um amanha melhor.

Considero de vital importância o debate, incentivado pelo governo brasileiro, aliado a grande imprensa, web, televisão, revistas e jornais, possibilitando assim uma discussão sobre a problemàtica da questão imigração, comprovadamente interligada ao turismo sexual, prostituição, trafico de seres humanos.

È fato que a falta de conhecimento por parte da grande população colabora ao aumento de vitimas.

Abro um (....) e me reservo ao direito do “silencio” quando o ingresso no mundo da prostituição se trata de uma escolha pessoal, ressaltando que do ponto meu ponto de vista, mesmo as pessoas que levantam a bandeira do “livre arbítrio” carregam dentro de si a certeza de que essa experiência è uma violência silenciosa à dignidade humana.

Tenho a convicção que raramente è uma escolha inteiramente conciente, pois na maioria das vezes essa escolha è ditada por problemas relativos a situação economica, ou pela precária base familiar, mas sobretudo pela grande falta de informação do individuo pelos grandes meios de comunicação à disposição, e infelismente muitas vezes quando existe algum tipo de informação sobre o tema prostituição esse è divulgado de maneira inrresponsàvel, causando ao contrário de um alerta um incentivo.

Recentemente estive no Brasil visitando vários estados do nosso país. Com o apoio de algumas ONGs, grupos não governamentais e da editora Itália Nova. Dentre eles: Serviço à Mulher Marginalizada - www.smm.org.br Itália Nova editores - www.italianova.net União de Mulheres de São Paulo - http://www.uniaodemulheres.org.br – Grupo Nave de Fortaleza - NAVE- Núcleo de Acção e Valoração da Espécie Humana.

Durante essa viagem participei de diversos encontros e debates sobre temas como: “prostituição, trafico de seres humanos e imigração”. Em Fortaleza mais de 120 pessoas ligadas a iniciativas sociais referentes ao combate do exploração sexual comercial e ao trafico de seres humanos participaram de uma palestra rica de depoimentos e dados estatísticos que demonstram a gravidade da situação atual. (Material è disponível pelo Grupo Nave em forma de DVD).

contin...post abaixo

  • criado por  marianabrasil_luz criado por marianabrasil_luz
  • Postado em 20:53:48

Carta Aberta S.O.S Filhos do Brasil

Contin.....

Carta Aberta

“S.O.S. Filhos do Brasil” ...

O resultado desta peregrinagem no atual sub mundo da prostituição brasileira, apoiada por entes que trabalham com seriedade e diretamente com esta “grande” minoria apressa foi alarmante.

È alarmante o numero de adolescentes que se prostituem nos nossos litorais, sonhando com um estranjeiro que transforme sua realidade de vida e, “enquanto ele não aparece vendem o corpo”, sujeitas à enormes riscos de doenças sexualmente contagiosas, violências físicas etc.., no nordeste muitas vezes se prostituem até por um prato de comida.

È alarmante o numero de pessoas que são vitimas do trafico de seres humanos” destinadas ao mercado sexual no exterior. È alarmante ouvir a voz de uma de nossas meninas dizer que quer crescer logo para ser “prostituta” e morar no exterior.

È alarmante e vergonhoso o silencio coletivo em torno do mercado sexual brasileiro, inclusive o infantil.

À principio o que me impulsionou a fazer esta pesquisa, desta vez como observadora, foi uma necessidade interior de refazer meu percurso de vida, desta vez com os olhos de adulta, esse desejo acentuou-se nos últimos anos pela constatação do significante aumento dos brasileiros – “as”, legais e clandestinos atualmente residentes na Europa, porém, particularmente a situação que considero de “urgência” è relativa ao aumento da prostituição em geral, a falsa “glamourizaçao” em torno da profissão considerada a mais antiga do mundo sem que ninguém se manifeste diante de fatos e situações largamente difusos na mìdia que alimentam a falsa ideia, principalmente as classes sociais menos favorecidas, de que “hestòrias” como “pretty woman” acontecem todos os dias.

Esses fatos infelismente refletem um triste retrato da sociedade brasileira. A prostituiçao è a ultima estrada à se almejar percorrer, ninguèm sai ileso. Por esse motivo batizei meu grito de alerta de “S.O.S. Filhos do Brasil”.

Hoje minha vida è considerada “normal” pela sociedade. Absolutamente integrada na cultura italiana, sou casada com um cidadão italiano, faço parte do “Conselho do Cidadão do Consulado Brasileiro de Milão, represento a Rebra – Rede de Escritoras Brasileiras na Itália e com muito orgulho faço parte das poucas e privilegiadas escritoras brasileiras publicadas por grandes grupos editoriais da Europa.

Justamente por ter encontrado meu lugar ao sol e jamais deixar de questionar o que è de fato a “normalidade” desses universos completamente extremos e longinquos, por ser mãe e filha e conhecer a responsabilidade de nossas palavras, principalmente as escritas, mas sobretudo por ter conciência de que a “Informação” è a maior arma de defesa e proteção à pessoa, com esta carta proponho um mutuo apoio entre as pessoas de boa vontade e responsabilidade social.

Nessa minha viagem ao centro da atual realidade da prostituição, percorrendo de norte a sul o Brasil, partecipando de debates com entes sociais que trabalham na prevenção do turismo sexual e no re-inserimento das mulheres que desejam sair do mundo da prostituição, dialogando com unidades locais de apoio, Ongs, voluntários, operadores sociais, associações várias no Brasil e no exterior encontrei-me diante de um quadro assustador e deprimente, ao qual não posso ficar em silencio.

Agregando-me a profundidade da seguinte frase que não è de minha autoria: A mente humana depois que se alarga conhecendo outras realidades jamais retorna às suas dimensões originais peço uma resposta, uma posição a esse apelo: S.O.S. Filhos do Brasil.

Pessoalmente posso afirmar com conhecimento de causa que um ser humano que vivência a prostituição è capaz de fazer qualquer outra coisa na vida e ser bem sucedido, no entanto è necessàrio que haja um mínimo de condição de fazê-lo, esse mínimo deve partir do direito da “Informação", e de iniciativas dos homens que dirigem nossa nação para que os filhos do Brasil tenham acesso a informações, evitando assim os riscos de propostas de trabalho no exterior, onde recorrer e como proceder em casos extremos, orientando a familia no que pode fazer para prevenir situaçoes enganosas.

Portanto Senhor Presidente não podemos ignorar a gravidade dessa realidade no Brasil, porque:

- À maioria das vitimas de trafico de seres humanos são mulheres, cerca de 40% de idade entre 18 e 21 anos, solteiras e de baixa escolaridade.

- Estima-se que mais de 1000 pessoas são levadas ao exterior todos os anos por redes de exploração.

- Milhares de brasileiros são deportados antes mesmo de ingressar em países europeus por suspeita de finalidade da prostituição, ou trabalho ilegal, segundo dados estatísticos relaxados pela Policia Federal somente no ano de 2004, 22.500 brasileiros foram deportados ou não admitidos na Europa.

- O trafico de seres humanos movimenta mais de nove de nove bilhiões de dólares por ano.

- Atualmente existem locais no Brasil que vendem sexo à partir de 1.99 “reais”.

Senhor presidente, termino esta carta com uma grande esperança no seu governo. Porque não è justo que uma criança não tenha o direito de viver dignamente sua infância...

Porque è um dever de todos lutar por um amanhã melhor.

Lhe saluto deixando o eco do meu grito:

S.O.S. Filhos do Brasil

Mariana Brasil ... Uma filha do Brasil.

marianabrasill@yahoo.it

 Ps. Deixe seu comentario fazendo parte dessa corrente e desse grito de alerta.

Obrigada.

Sonia . M.B.

  • criado por  marianabrasil_luz criado por marianabrasil_luz
  • Postado em 20:41:57